Guia da Adaptação Saudável no Egito

Todo mundo quando se muda, de trabalho, relacionamento, de país sente as fases do luto.

A psiquiatra Elizabeth Kubler-Ross explica que o luto é um processo necessário para preencher um vazio deixado por alguma perda. Você provavelmente perdeu contato com amigos, eventos que aconteceriam no Brasil, perdeu a rotina que você tinha no momento que decidiu sair do país.

1.Negação

Você chega e vai fazendo tudo que tem que fazer no piloto automático.
Preenche papel, dirige, come, bebe, acorda e dorme.
Tudo mecânico.
E parece que está tudo bem, afinal as coisas estão acontecendo.
Você nem sente que está no Egito.
Mas você ainda precisa lidar com a falta que as coisas que você fazia antes, e o jeito que as coisas aconteciam antes.

2-Raiva

Tem gente com raiva até hoje, que foi injusto demais ter mudado de país, que nada funciona, que nada dá certo.
Que tudo é infinitamente e irremediavelmente pior.
Se está aprendendo a língua fica com bloqueio.
Começa a se arrastar para fazer tudo.
A raiva parece que não vai passar, mas passa.

3- Concessão

Mestre eu preciso de um milagreee! Aqui nessa parte, as pessoas começam a pedir a Deus para ajudar, para aliviar, e fazem as mais diversas barganhas. Se as coisas melhorarem eu vou dar todo meu dinheiro para Universal.
Se eu sair daqui eu nunca mais vou trair minha esposa (AH JURA) se eu sair daqui – eu vou ajudar cada mendigo que eu ver na rua.
Se eu sair daqui eu vou almoçar todo domingo com a minha família.
É aquela sensação: já vim, aprendi minha lição – deixa eu ir embora que eu vou ser uma pessoa melhor.
Mas se você quer realmente aprender a lição, segura minha mão e continua remando, que tem mais!

4-Depressão

“Fiz tudo que eu podia, e mesmo assim. Não deu certo. Eu ainda odeio acordar e ver na janela aonde eu estou. Não tem nada que eu possa fazer para melhorar minha situação.”
Frustração e muito desespero.
Dá tristeza ao acordar, tristeza ao dormir. Come triste. Vive com sono, desanimado. Não quer falar com as pessoas daqui, nem com as pessoas de lá. Se arrasta. Desistiu de encontrar coisas boas no lugar.

5-Adaptação

Chega uma hora que você cansa de ficar triste. Cansa de reclamar, e se acostuma. Se acostuma com o que era ruim e se adapta.
Você pega as coisas que você gosta, as que te fazem bem e coloca no seu dia. Começa a gostar da sua adaptação. Descobre novos jeitos de lidar com as coisas diferentes – não o jeito local nem o jeito estrangeiro. O seu próprio jeito. E pronto. Paz e plenitude.
Um ponto muito importante aqui, é que se nas outras vezes que você se mudou – você não se permitiu se adaptar e chegar até estágio, você pode precisar de ajuda profissional para chegar aqui!
E olha, pensa num dinheiro bem gasto! Cuidar da sua saúde emocional é muito importante.

E como no luto, cada um passa por cada fase por um tempo específico e em uma intensidade específica.

Cada pessoa é muito única, e cada experiência também é muito singular.

Tem pessoas que quando estão sofrendo, gostam de desabafar, contar o que estão vivendo.

Gostam de compartilhar experiências, boas e ruins.
Se deixar elas falam o tempo todo, de tudo diferente que aconteceu, desde aprender a uma vogal a pedir para ir no banheiro.

Tem gente que não gosta de contar. Que prefere guardar as experiências para si, não se expor. Nesse grupo tem quem fica só olhando o que os outros falam, tentando aprender ali.
Tem também quem não fala, porque pensa que nada o atinge. Vive como se tudo fosse completamente natural, negando qualquer frustração.
Tem quem gosta de se assumir como GUIA – e as vezes sem querer acaba diminuindo ou dando outro significado para a experiência pessoal do outro, usando a própria como referência.

Tem gente assim também!

Tem quem quando você conta o que deu errado, a pessoa já vem com dez milhões de coisas erradas que deram com ela, em uma competição de quem deu mais tragédia, e é mais merecedor da cora de vítima.
Geralmente ela começa falando assim: – Isso não é nada!!

Tem quem pensa que como está sofrendo, todos precisam estar sofrendo juntos. Se alguém tá bem comendo com a mão, a pessoa não se conforma e vem trazendo uma nuvenzinha negra.

Tem quem acha que as pessoas da outra cultura precisam MELHORAR, e aprender com ela a ser pessoas mais evoluídas, mais civilizadas ou seja – precisam ser conolizadas. Encontram sempre motivo para diminuir e ridicularizar a outra cultura com arrogância.

Quem é você, e quem você conhece que é assim?

Está todo mundo no mesmo barco. E faz parte lidar com o que está acontecendo se defendendo, atacando, ou até negando. A gente está passando por uma mudança gigante, e de vários tons de desespero.

Escrevo com as características de cada um porque assim, você consegue identificar seu perfil, e o que pode estar acrescentando ou privando os que cercam você de terem uma adaptação mais serena.

A gente precisa lidar com a mudança, precisamos conversar, as vezes ouvir, as vezes falar. A gente precisa se acolher, lidar com o que está acontecendo e viver cada fase. E claro, ajudar quem está vivendo também.

Isso sim é se adaptar.

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Cotidiano

Escrito por Evelyn Koch

Catarinense especialista em Marketing, que depois de morar em vários lugares do Brasil, na África e Europa, decidiu retribuir amor como professora de inglês voluntária pelo AVS no Cairo.

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