Depois de visitar uma boa quantidade de países, notei que todos os lugares são meio parecidos.

Você vai para os Estados Unidos e as pessoas se vestem da mesma forma do que os brasileiros.

Eu sou do Sul do Brasil, fui pra Europa, e a comida era parecida. 

Eu queria ver o novo, minha pele gritava para sentir o diferente.

Então, depois de muito vagar, decidi me estabelecer no Egito. 

Porém, o que meus olhos não sabiam e minha pele não imaginava, era que o lugar que escolhi para ser minha nova casa, era cem por cento diferente de tudo aquilo que nós – eu, meus olhos e minha pele, já havíamos vivido.

Vamos começar pelo começo, quando, no primeiro dia, cheguei em um hostel.

Invadida pelos milhões de sons que Cairo tem a oferecer por segundo, exausta após uma longa viagem, tudo o que eu queria era um banho.

O que você talvez não saiba é que no Egito, ao lado do assento sanitário, há uma “mangueirinha”, eles não tem o costume de usar papel higiênico. Bom, eu sei que eu definitivamente não sabia. 

No hostel eu perguntei:

– Onde fica o banheiro?

– Sai aqui no corredor, primeira porta a esquerda.

– Certeza?

– Certeza!

Então eu fui, a primeira porta à esquerda estava aberta, era o banheiro, havia uma segunda porta à esquerda, mas ela estava fechada, então a pessoa que me passou a informação provavelmente estava certa, né? Não havia porque não estar.

Acontece que… não havia chuveiro! Não havia banheira. Nem a pia era grande o suficiente para eu pode improvisar algo.

O que havia? Havia a mangueirinha!

Preciso adicionar um detalhe: era dezembro. 

Como já falei aqui nesse post, o Egito no inverno é MUITO FRIO.

Ok, retornando…

Estava eu e a mangueirinha. Uma olhando pra outra!

Preciso falar que eu queria muito mesmo tomar um banho.

Sentei no vaso sanitário, joguei o cabelo pra frente.

Abri a mangueirinha e comecei a molhar meu cabelo.

Era frio demais. A água era congelante e toda vez que uma brisa gelada entrava pela vão da porta eu sentia vontade de morrer.

Passei shampoo, enxaguei. 

Passei condicionador.

Sem querer meu cabelo gelado tocou nas minhas costas.

Dei um salto desesperado e emiti um grunhido agudo como de um travesti de filme de presídio mexicano.

Comecei a chorar.

Essa não poderia ser minha nova vida!

Comecei a pensar em possibilidades…

“Será que os egípcios nunca tomaram banho de chuveiro?” 

Porque até então, eu estava certa de que, se eu estava passando por uma situação como aquela, provavelmente não existia chuveiros no país inteiro.

Tirei o condicionador do cabelo me esquivando da água como um atleta olímpico desvia da vara.

Lavei o sovaco na pia.

Segui chorando.

Quando notei, o banheiro todo estava cheio de água.

Eu não queria ser aquela pessoa que usa o banheiro e deixa num estado deplorável para a próxima pessoa, sabe?

Peguei minha toalha branquinha e comecei a secar o chão.

A toalha já não era mais branquinha.

Deixei a toalha lá e segui para o quarto.

Desolada.

Sem esperanças.

Uma parte de mim havia morrido naquele banheiro.

Entrei no quarto e uma amiga que estava dividindo o beliche comigo estava com uma toalha na cabeça.

Ela estava cheirosa.

Ela estava feliz.

Que tipo de masoquista seria esse?

Que tipo de pessoa passa pela mesma situação que eu passei e não tem ódio no olhar?

Olhei pra ela com os olhos cheios de lágrimas.

Eu só queria uma companhia para dividir a dor da experiência que eu havia tido. 

Perguntei:

– E aí? Como foi? Muito gelado né? Isso não é vida.. não sei se vou conseguir!

– O que você está falando?

– Ué… do banho! A mangueirinha!

– Que mangueirinha?

– Calma… Onde você tomou banho?

– Aqui no corredor, segunda porta a esquerda!

A segunda porta a esquerda era o banheiro que tinha chuveiro.

Primeira porta a esquerda era o banheiro com mangueirinha pra se lavar depois de fazer suas necessidades.

E assim começou a minha saga no Egito.

No dia seguinte fui comprar uma toalha nova.

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Um comentário em “Sobre Choque Cultural

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