Arte e Cultura

Dança do Ventre no Egito

Dança do Ventre é a arte performática que mais se destaca em todo o Oriente Médio e que conquista todos os dias milhares de mulheres ao redor do mundo. Raks Sharki (Dança do Leste ou Dança Oriental) é o nome original desta arte que nasceu no Egito e ganhou o mundo.

Era de Ouro da Dança do Ventre

A atual Dança do Ventre que o mundo conhece teve muita influência na Era de Ouro com sua forte aparição nas telas do cinema. A Era de Ouro contabiliza desde os anos 40 até os anos 80, com ápice entre os anos 40 e 60. Aqui selecionei as bailarinas mais famosas que fizeram sucesso neste período:

Taheya Karioca
Dançou na troupe de Badia Masabni no Casino Opera, tinha como característica um gingado latino. Fez sucesso na década de 40 e foi a primeira a atuar no cinema.

Samia Gamal
Foi a primeira bailarina a utilizar saltos em cena, sempre inovadora, Samia Gamal sempre procurava criar e aprender mais, passando a estudar outros estilos de dança.

Soheir Zaki
Destacava-se pelos seus movimentos impecáveis do quadril e a sua capacidade de improvisação em cena.

Naima Akef
Devido a sua influência circense na família, suas apresentações tinham algo especial e inovador.

Nagwa Fouad
Era uma bailarina dramática, conseguia misturar elementos de outras estrelas, resultando em perfomances bem singulares.

Mona Said
Era conhecida como o Bronze do Nilo ou a Princesa Raks Sharki.

Fifi Abdo
Começou a fazer sucesso nos anos 70, sempre muito carismática em suas performances, Fifi destaca-se até hoje pela tradicional dança baladi. Ela atualmente atua muito nas séries de tv e filmes egípcios.

Aida Nour
Fez parte da famosa Reda Troupe e começou a fazer sucesso como solista nos anos 80.

A Dança do Ventre no Brasil

A Dança do Ventre é originária do Egito, mas no Brasil ela começou a ser estudada por volta dos anos 70 através da bailarina palestina Sherazad. Autora do livro “Resgatando a Feminilidade – expressão e consciência corporal pela dança do ventre” Sherazad dedicou praticamente sua vida à arte da dança.

Nos anos 90 surgiram os primeiros vídeos didáticos de dança com a professora Lulu Sabongi, os vídeos eram produzidos pela famosa Casa de Chá Khan el Khalili situada em São Paulo.

Os primeiros CD’s de música árabe produzidos no país foram feitos pelo cantor sírio Tony Mouzayek. Até hoje Tony produz música e faz shows pelo país.

A Dança do Ventre expandiu no país de uma forma que hoje nas maiores cidades do país você vai encontrar escolas especializadas com o ensino desta arte.

Há diversos festivais que ocorrem no país, competições, grandes espetáculos, selos de qualidade e revistas que focam exclusivamente na Dança do Ventre.

No Brasil, a Dança Oriental é considerada Arte, e é fortemente respeitada em todos os âmbitos. Cada vez mais profissionais qualificados consolidam carreiras tanto no Brasil quanto no exterior.

A Dança do Ventre no Egito Atual

Quando disse anteriormente que a Dança Oriental é considerada Arte no Brasil, é porque no Egito eu não vejo isso acontecer. Isso soa estranho, afinal a Dança do Ventre surgiu por aqui, mas com o passar dos anos as coisas mudaram e muito.

A sociedade conservadora do país, sempre olhou a Dança do Ventre com bons olhos no que se refere ao entretenimento, às festas de casamento e à diversão.

Os egípcios adoram assistir apresentações, inclusive há alguns canais na TV dedicados a mostrar os clipes com as bailarinas de DV.

Diferente do Brasil, aqui a DV é apresentada nas boates, bares, restaurantes, hotéis e cruzeiros.

O grande problema é que a Dança do Ventre por aqui é quase a “dança proibida”, como o país é majoritariamente muçulmano, a dança não é bem vista, por ser considerada pecado “haram”. Outro fator negativo que bate de frente com a dança, é o rumo que algumas mulheres deram à ela (levando-a para clubes noturnos ligados à prostituição). Tudo isso acaba que resulta na má reputação das profissionais de dança do ventre, fazendo com elas sejam olhadas de lado, e a sua profissão seja considerada escandalosa.

Então, por mais que eles adorem assistir, jamais vão permitir ou aceitar algum familiar praticando esta dança de forma profissional. Mas você pode questionar, e as mulheres não dançam? Elas dançam sim, mas em casa, entre as mulheres ou para o esposo (e elas dançam lindamente, a dança é pura, bem raíz e sem muitos floreios). Nas academias femininas. também oferecem dança do ventre como aula aeróbica, assim como zumba, yoga, etc.

Aqui não tem apresentações em teatro, mas tem os festivais de dança do ventre que são exclusivos para o público estrangeiro e profissionais da área do Egito. Nesses festivais é PROIBIDA a presença do público egípcio. E por que é proibida? Justamente pelo comportamento sem limites e pelo assédio, sem contar com aqueles que pensam que as bailarinas são prostitutas e vão oferecer dinheiro para sair com elas. (É melhor proibir a presença geral dessa galera para evitar problema).

Toda bailarina que trabalha com DV no Egito precisa ser agenciada e tem por obrigação ter uma licença de trabalho, porque sem ela pode ser PRESA em qualquer batida da polícia. Por isso aqui vai a dica para aquelas que sonham em dançar no Egito, não confiem em todo mundo, peçam informações aos profissionais da área e jamais arrisquem a se apresentar sem estarem legalizadas. Para vocês terem uma ideia, há alguns meses atrás uma bailarina brasileira foi presa pois não tinha autorização de trabalho, já aconteceu de outra profissional russa ser presa e deportada pela mesma razão, os casos se repetem constantemente pela falta de informação.

Eu vejo muitas bailarinas no Brasil com o sonho de dançar no Egito, de fazer carreira na terra dos faraós. De fato há muitas estrangeiras por aqui, fazendo sucesso, ganhando dinheiro e construindo uma carreira internacional. Mas o caminho não é fácil!

O sonho das bailarinas é vir dançar nos grandes hotéis , mas quando uma bailarina vem pra cá na sorte, ela começa literalmente “de baixo” dançando nas boates e casas noturnas, em um palco minúsculo, sujeita à um público quase que estritamente masculino que fica a poucos centímetros do palco.

Por outro lado, as bailarinas que já tem um agenciamento prévio ou vem por indicação de um profissional do setor, essas conseguem se apresentar em locais considerados mais conceituados.

Hoje no Egito há diversas bailarinas estrangeiras e claro, há brasileiras também, a mais antiga entre elas que conseguiu consolidar uma carreira de sucesso, é a Soraia Zayed.

Deixe seu comentário e siga o blog Vida no Egito.

Gostou dessas dicas e quer saber mais? Siga nossas redes sociais: Instagram Facebook e Youtube. E fique por dentro de tudo o que acontece aqui na terra dos faraós!

3 respostas »

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.