Arte e Cultura

Colonização e Missão

Achei que estava sendo salvo, mas levaram minhas terras, minha língua e minha cultura… na verdade eu estava sendo colonizado.”

Usar religião e desenvolvimento econômico e político é um cavalo de tróia.

Culturas inteiras, etnias são exploradas e subpujadas por autoridades religiosas e políticas.

Isso não está certo. Não está.

  • Mas existem culturas com práticas erradas, como escravidão, violência, machismo e até canibalismo.

Realmente, é verdade. Uma pequena parcela dos povos atuais vivem em sociedades que compactuam com isso.

E eu vou dizer uma coisa chocante, mas que é preciso ser entendida. Quando você rompe com um comportamento cultural sem a devida estrutura, você também está praticando violência.

Antes de vestir sua armadura de “salvador branco”, e postar nas redes sociais como você lutou contra alguma injustiça social que permeia a outra cultura, dê um passo para trás e estude.

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Busque em diversas fontes como se construiu esse comportamento, encontre pessoas dispostas a conversar sobre isso. Tente entender.

Quais são os valores que a sociedade em questão valoriza?

Óbvio que quando Colombo, ou Pedro Álvares Cabral chegaram a nossa ilha não vieram com um sociólogo, e se viessem provavelmente não o escutariam.

Da mesma maneira, muitas pessoas vem com toda sua bagagem de novidade para mudar a vida das pessoas, trazer “as boas novas” ou “purificar”, ou “trazer a democracia” “direitos humanos” e impõe vários costumes, desprezam os costumes e valores locais no processo, em uma ilusão progressista.

A religião pode ser mais forte que a agressividade para impor comportamentos, porque gera menos resistência.

O Egito era uma civilização opulenta com faraós, politeísta, já foi cristã copta, e hoje é considerado um país árabe. Passou por várias invasões, gregas, romanas, árabes e isso também influenciou na identidade religiosa do povo.

O Brasil, foi catequizado enquanto aprendia português. Hoje eu reconheço, mesmo não tendo a fé católica muitos símbolos do catequicismo na minha experiência religiosa. Além disso, a língua portuguêsa carrega muitas referências religiosas. Você sabia que o FEIRA, de segunda-feira (etc) vem do latim faria, que é o mesmo significado de férias, feriado, (dia de descanso) por causa da semana santa, antes da páscoa.

Mas e agora, eu sou essa soma.

Eu sou essa soma de elementos culturais brasileiros, africanos, germânicos, egípcios, ivorianos e ingleses. E um pouco de tudo que eu já vivi.

Por isso vale a pena eu estudar essas referências e entender o que está acontecendo a minha volta e o que eu apresento de volta.

Pessoalmente, para mim funciona bem SEtorizar, momentos que eu preciso aprender a me inserir na nova cultura, momentos que perguntam sobre a minha cultura, e momentos que eu posso realmente explicar quem eu sou e o que eu penso. E não colocar tudo na terceira caixinha.

Humildade e paciência são chaves.

Aqui eu já vi gente reclamando de comportamentos culturais, e os locais sorrindo, mas depois se assumiram ofendidos.

Já vi gente desdenhando e censurando comportamentos culturais sem procurar entender o que os motiva.

É preciso ter muita delicadeza e eu assumo que vivo errando.

Procuro fazer comentários sobre a cultura positivamente em público, e se algo me deixa desconfortável sem nenhum local presente para que ele não se sinta ofendido.

Faz parte da minha experiência em outra cultura, não estar em concordância com tudo.

Algumas vezes tive discussões com pessoas que moram comigo, porque impus comportamentos culturais locais, que são diferentes dos nossos, para defender uma egípcia que mora com a gente.

Já tive que fazer alterações no meu comportamento…

Não olho homens nos olhos, dou a preferência, não falo com homens locais, e peço ao homem que estiver comigo para se dirigir a ele. São coisas que não tem nada a ver para mim, e eu não faria no Brasil, mas por entender que isso é um comportamento respeitável, eu procuro agir com respeito segundo o que é respeitoso aqui.

A gente muda o mundo, abrindo espaço para as pessoas, não impondo nossa visão.

Algumas pessoas vem aqui de países super desenvolvidos. E entre a nostalgia que sentem do país de origem, e o desconforto no país novo, acabam promovendo uma agenda colonizadora.

Aonde eles sem querer, recrutam “escravos”. Estrangeiros para serem explorados em funções subalternas.

Pessoas que vão fazer de tudo, se submeter a riscos de imigração ilegal e a empregos aonde serão explorados, podendo ser vítimas de tráfico de pessoas ou sexual.

Um príncipe de aldeia, se torna um porteiro de condomínio humilhado e isolado.

Estou deixando mais grave do que a maior parte dos casos de propósito. Muitas pessoas saem do seu país e conseguem uma vida “melhor lá fora” mas precisamos lembrar o tanto que a pessoa abriu mão culturalmente para chegar nesse “american dream”.

Precisamos ajudar sim, nos envolver sim. Com empatia e paciência. Não tenho nada contra quem promove o serviço voluntário. Quem posta foto e inspira outras pessoas a sonharem esse sonho.

Mas antes, pesquise, e quando estiver lá, esteja disposto a aprender e entender.

A aprender o idioma e a religião. Isso não precisa excluir a sua, mas é essencial para enxergar o outro com empatia e humildade. Se deixar colonizar é um ato heróico de quem não quer virar vilão e colonizar.

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