Cotidiano

Alexandria

Parte I da Série: Alexandria, a Pérola do Mediterrâneo por Nane Magossi

Alexandria é a segunda maior cidade do Egito, ela tem em torno de cinco milhões e meio de habitantes, a maioria distribuídos na costa banhada pelo mar mediterrâneo.

Alexandria foi fundada em 331 AC a partir de uma pequena cidade no delta do Nilo chamada Rakoota,  por um rapaz macedônio chamado Alexandre (SKANDAR). Ninguém dava nada por aquela vila de pescadores, mas Alexandre o grande, enxergou um grande potencial geo-econômico. A cidade cresceu, veio gente de todo canto, resultando na expansão do comércio e da cultura.

Alexandria foi um dos berços da cultura na antiguidade, filosofia, arte e religião se fundiam aqui. O point desse pessoal era a antiga Biblioteca de Alexandria, que além de biblioteca era a maior universidade do mundo antigo que infelizmente foi destruída por um grande terremoto e posteriormente pelos cristãos por considerarem toda a produção gerada ali contra os dogmas da cristandade,  Alguns manuscritos foram salvos, mas a maioria da produção foi perdida.

Ah!  não podemos esquecer de Cleópatra, que nasceu em Alexandria, estudou na biblioteca, foi uma grande rainha, estrategista e falava vários idiomas. Ainda existem muitos lugares que segundo historiadores ela costumava frequentar como a praia de Agiba em Marsa Matrouh e as piscinas do Oásis de Siwa.

Dando um salto enorme na cronologia histórica, não dá para falar de Alexandria sem falar de gregos, italianos, ingleses, franceses, armênios, judeus, cristãos e egípcios, aqui todos eles viviam juntos em harmonia.

Alex era uma salada de culturas e idiomas que formou um povo cosmopolita e elegante. Até meados da década de 60, os alexandrinos falavam francês mais que árabe nas ruas, as meninas usavam roupas mais curtas, maiô ou biquíni nas praias. Bares, cafés e cinemas borbulhavam em idéias, charme e glamour. Alexandria era realmente a Pérola do mediterrâneo tão cantada e recitada nas músicas e poemas de todo mundo árabe.

Depois da queda da monarquia, assumiu o presidente Gamal Abdel Nasser e com ele veio a mudança no Egito, que foi muito sentida por todos, mas principalmente em Alex.  A maioria dos estrangeiros foram  embora e com eles o dinheiro que circulava. As construções antes em estilo inglês, italiano e francês deram lugar a novas construções frias e duras baseadas nas edificações russas. Todo aquele glamour e charme foram gradualmente se apagando.



Hoje, Alexandria é uma cidade grande, com crescimento desorganizado, muitas construções antigas descascadas e mal conservadas, mas ainda podem ser vistas  no centro da cidade, e apesar do abandono ainda guardam sua beleza.

Aqui pode ser o paraíso da arquitetura e engenharia, o exemplo do que construir e não construir, AL SKANDARIA teima em não ser esquecida. Quem mora ou visita essa cidade e consegue enxergar além dos olhos ficará com os ecos do passado glorioso, soando como uma trilha sonora de filme antigo reprisado na sessão da tarde.

Esse artigo faz parte da série sobre “Alexandria, a Pérola do Mediterrâneo” que será escrita pela brasileira Nane Magossi.

Nane é brasileira, mora no Egito há 13 anos e é uma Alexandrina de coração. Casada com egípcio e mãe da Dareen, apesar de ter abraçado a vida na terra dos faraós, o seu sangue é paulistano. Atualmente ela trabalha como agente de turismo no Egito.

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