Arte e Cultura

Egito nos Holofotes do Mundo com o Desfile de Ouro dos Faraós

Emocionante!” “De arrepiar!, foram algumas das palavras ditas por quem assistiu o evento extraordinário que ocorreu no Egito no último sábado.

A “Golden Parade” levou meses, na verdade mais de um ano para ser planejada, e olha que não é nada fácil! Muitos departamentos envolvidos, artistas, engenheiros e designers para que tudo ocorresse com zero defeitos.

Confesso que, apesar de já ter ficado impressionada com a beleza dos carros especiais criados para transportar as múmias, eu não tinha absolutamente nenhuma ideia da proporção que seria o desfile, e de como ele causaria uma comoção mundial.

Lágrimas escorreram pelo rosto, e o coração bateu forte, foi excepcionalmente gratificante ver o desfile (mesmo que tenha sido somente pela TV). Foi difícil conter a emoção, e ver Mounir cantando para o Egito tendo o nilo como cenário, enquando sua voz entoava em meios aos barcos farônicos, eu consegui viajar no tempo, mesmo que tem sido por instantes.

Ver as portas do Museu Egípcio se abrindo de uma maneira tão majestosa e tão enigmática, mesmo já tendo visitado esse lugar inúmeras vezes, foi algo indescritível.

Eu sei que o Egito não é um país perfeito, na verdade ele está bem longe disso, mas me sinto honrada por fazer deste lugar a minha nova casa, e fico imensamente feliz por ver o povo egípcio valorizando a sua grande história.

O mundo inteiro viu 22 múmias reais partirem do icônico Museu Egípcio em Tahrir para o Museu Nacional da Civilização Egípcia (NMEC). Acompanhadas por cavalos, carruagens, dançarinos muita segurança, as múmias viajaram ao longo do Nilo para sua nova casa em Fustat no Cairo Antigo, enquanto o público tinha uma aula de história ao vivo e a cores.

O Egito não quis apenas um transporte, ou uma mudança qualquer, mas sim um evento impressionante que contasse história e valorizasse a importância da herança egipcia para o mundo. Desde o design, passando pela música, figurino e coreografia, absolutamente tudo estava em total equilíbrio, e numa sintonia que deixa qualquer filme hollywoodiano sobre o Egito, literalmente, no chinelo.

Claro que não poderia deixar de falar em detalhes sobre esse evento majestoso que engrandeceu o Egito aos olhos do mundo, por isso, continue sua leitura para ficar por dentro de tudo que aconteceu no Desfile de Ouro dos Faraós:

As Múmias Reais

As múmias destes reis e rainhas foram descobertas na cidade de Luxor (antiga Tebas) localizada no sul do país, e estavam expostas no Museu Egípcio na praça Tahrir desde o início do século XX.

O cortejo das múmias reais foi liderado pelo faraó mais antigo entre eles, Seqenenre TaaII (século XVI a.C), e foi seguido pelos demais reis e rainhas, totalizando 22 múmias: Ahmose Nefertari, Amenhotep I, Thutmose I, Thutmose II, Hatshepsut, Thutmose III, Amenhotep II, Thutmose IV, Amenhotep III, Seti I, Ramses II, Merenptah, Seti II, Siptah, Ramses III, Ramses IV, Ramses V, Ramses VI, Meritamun, Tiye e Ramses IX.

As múmias foram cuidadosamente colocadas em cápsulas de nitrogênio para seguirem o desfile, além disso todos os carros foram equipados com amortecedores, para que nenhum dano fosse causado.

Trilha Sonora

A produção musical foi criada pelo Hesham Nazih e liderada pelo maestro Nader Abbassi, dando ao desfile uma trilha sonora excepcional e emocionante. Você pode inclusive ouvir a trilha sonora que está disponível no app Anghami, que inclui ‘Anshouda El Ozma’ de Amira Selim (um antigo canto egípcio) e ‘Ana Masr’ do cantor Mohamed Mounir.

As coreografias apresentadas após a saída das múmias, foram dançadas ao som do canto em egípcio antigo nas Pirâmides de Gizé, Saqqara, Templo de Hatshepsut e Grande Museu Egípcio (GEM). A música em língua egípcia antiga ficou gravada na mente de muitos. A letra foi extraída dos Hinos de Reverência à Ísis encontrados no Templo Shelwit em Luxor sob a supervisão da Dra. Maissara Abdallah Hussein, professora da Faculdade de Arqueologia da Universidade do Cairo.


Hoje em dia sabe-se até certo ponto como a língua era pronunciada a partir da Pedra de Roseta, que desbloqueou os hieróglifos por ter uma tradução grega abaixo de um texto egípcio antigo. Eles foram escritos da maneira como eram pronunciados no grego antigo, é dessa forma que podemos imaginar como os antigos egípcios produziam sons.

Mulheres Incríveis

Quem assistiu ao desfile, deve ter ficado encantado com as mulheres super talentosas que ganharam a atenção do mundo inteiro. Venha conhecer mais sobre cada uma delas:

RIHAM ABDELHAKIM
Alcançando o estrelato com sua atuação no drama biográfico egípcio de 1999 ‘Umm Kalthoum’ como a própria Estrela do Oriente, Riham Abdelhakim é uma atriz e cantora renomada. Sua voz apareceu em dramas como ‘Freska’ e ‘Khatem Soleiman’, e ganhou o Arab States Broadcasting Union Awards duas vezes.


AMIRA SELIM
A soprano Amira Selim é a voz que deu vida às letras do Antigo Egito. Selim se formou no Conservatório do Cairo e recebeu uma bolsa do governo francês para estudar na l’École Normale de Musique de Paris, antes de ganhar o primeiro prêmio no Concurso Internacional para Cantores de Ópera em Orvieto, Itália.


NESMA MAHGOUB
Os vocais de Nesma Mahgoub estão entre os mais notáveis ​​da região. Nesma vem somando na sua carreira, inúmeras performances e elogios desde que se juntou ao coro infantil na Cairo Opera House aos 10 anos de idade. Um fato curioso sobre Nesma, ela pode cantar em nove idiomas diferentes.


RADWA ELBEHEIRY
A percussionista da Cairo Opera House impressionava os espectadores a cada estrondoso e primordial golpe de seus tímpanos. Como ex-principal timpanista, Elbeheiry tornou-se o rosto atual da arte outrora dominada pelos timpanistas masculinos no mundo árabe .

Identidade Visual do Desfile de Ouro

O logo criado para o Desfile de Ouro dos Faraós, também foi um grande destaque no evento. A simbologia usada leva em consideração elementos do Antigo Egito: o escaravelho em torno de raios de sol e penas.

“Tínhamos três elementos que precisávamos incorporar porque os faraós sempre os usaram nas suas múmias e suas cerimônias. Usamos raios de sol, que simbolizam a eternidade; escaravelhos, que representam o renascimento; e penas de águia, que representam o orgulho e a honra dos faraós. “

Karim Mekhtigian, fundador e CEO do Alchemy Design Studio, responsável pela identidade visual do Desfile

Processo de criação das carruagens

O desenho dos carros que levaram os reis e rainhas para o NMEC, foi projetado pelo designer de produção Mohamed Attia.

Sua tarefa foi, talvez, uma das mais incomuns de todos os tempos – criar as carruagens e imaginar a procissão que levaria a realeza ancestral pelas ruas do Cairo até seu novo lar. Não havia projeto para esse tipo de evento e nenhum roteiro para contar a história. Por meses, esses designs deslumbrantes existiram apenas em sua imaginação, e foram lentamente tomando forma após vários esboços, noites sem dormir, meses de trabalho meticuloso e uma imaginação que claramente sem limites.

Museu Nacional da Civilização Egípcia (NMEC)

O novo museu inaugurado no Egito é um dos projetos mais importantes feitos pelo governo que contou com a parceria da UNESCO. Um dos maiores museus internacionais do mundo e o único deste gênero em toda África, o NMEC é dedicado a contar a história e as diversidades da civilização egípcia ao longo dos tempos, desde a era pré-histórica até os dias atuais.

O NMEC será o lar para as 22 múmias transferidas do Museu Egípcio, e contará com uma ala exclusiva inspirada no Vale dos Reis e Rainhas, local onde suas múmias foram encontradas.

O museu está aberto todos os dias e os ingressos podem ser adquiridos no site do NMEC, aqui.

Novo desfile está previsto

Parece que o público mundial poderá se emocionar mais uma vez, e dessa vez o novo desfile será em torno do faraó Tutankhamon. Ainda não se sabe quando ou como, mas as informações passadas é que o trajeto sairá do Museu Egípcio até o Grande Museu Egípcio (GEM), o maior museu arqueológico do mundo que contará com uma galeria exclusiva para o menino de ouro.

Dia 3 de Abril ficou e ficará marcado para sempre, este dia não foi apenas sobre múmias ou museus, mas sim sobre talentos egípcios extraordinários que teve o poder de inspirar e emocionar o mundo com sua grande herança histórica. Obrigada Egito por este grande espetáculo!

Referências: Ministro do Turismo e Antiguidades do Egito, Egypt Today e Cairo Scenes. Foto de Capa BBC.

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